
E agora, como estaremos juntos? Essa é a pergunta certa a se fazer quando perdemos alguém que amamos. O cristianismo ensina que o amor é mais forte que a morte. Nada acaba. A vida continua de outro jeito.
Os cristãos perseveram no amor mesmo após a morte. É por isso que não faz sentido dizer: “Não chore. O tempo que tinha com vocês já acabou… Deixe-o ir com Jesus”. Ao contrário, deveria-se dizer: “Como você, ele e Cristo estarão juntos agora?”
Crer na Comunhão dos Santos é saber que Cristo nunca nos separa.
Jesus também perdeu alguém que amava. Quando Lázaro morreu, o Senhor foi a seu encontro. Chorou por Lázaro. O amor de Cristo pelo amigo fez Lázaro ressuscitar. A passagem do Evangelho de São João nos ensina como velarmos por aqueles que amamos.
São três recomendações que ajudam a encontrarmos a cura desta grande dor:
1. Divida as suas dores com Jesus (João 11, 1-41)
2. Retire as faixas de quem se foi (João 11,44)
3. Dê graças pela nova vida (João 11,42)
Jesus está contigo
A morte de quem amamos pesa sobre nós. O acontecimento faz pensarmos que as orações não foram suficientes. Mesmo o amor parece não ter sido bastante. Na dor, a morte também causa raiva.
Existe algo a ser feito: contar a Cristo o que se passa com você. Dividir suas dores com Jesus é também contar-lhe sobre a raiva, sobre a culpa sentida. Todo sentimento negativo que lhe consumir deve ser dividido com o Cristo.
Há um sentido nisto. Ao abrir o coração para Jesus, estamos na verdade retirando toda barreira que poderia existir entre nós e Ele, após a morte de quem amamos. Na verdade o momento de dor deveria nos auxiliar a estarmos ainda mais próximos do Senhor, pois agora, mais que nunca, é Ele o único meio pelo qual manteremos a relação de amor que tínhamos com aquele que se foi.
É o próprio Cristo que ensina o que devemos fazer. Lembremos do cenário da morte de Lázaro. Marta e Maria queixavam-se a Jesus: “Se estivesses aqui, isto não teria acontecido”. Antes que o milagre acontecesse, foi necessário que as irmãs de Lázaro perdoassem o próprio Senhor. Elas o fizeram ao reconhecer um Cristo que chorava a morte do amigo, um Cristo que amava.
Se fomos capazes de amar aqueles que perdemos, Jesus é muito mais capaz de amar que nós.
Peça que o Senhor traga à sua memória todos os bons momentos vividos. Deixe-se marcar pelas lágrimas que esses momentos irão trazer. Como Marta e Maria, reconheça que o Cristo ali também esteve e que sofre com você. Deixe que o Senhor ame vocês, como amou em cada uma de suas lembranças.
Permaneça no amor
Pela oração estamos em comum união com os nossos falecidos. É Cristo mesmo que nos une. Cristo não separa.
Amar a quem partiu continua sendo possível. E não haveria gesto maior de amor que uma oração de saudades, mas também de esperança. A perda nos proporciona viver em intensidade o dom da esperança, da fé e do amor. São laços que nos permitem descobrir: não estamos distantes.
Se não existem distâncias também não existem motivos para lamentar o que se queira compreender por ausência. Não existem motivos reais para cobrar aquele que se ama por sua partida. Ouça o que disse Jesus: “Desligai-o e deixai-o ir”. (São João 11, 44).
Ainda há tempo para expressar o seu amor. Sempre haverá.
Perceba o quanto Jesus ama e quer curar o seu coração. Experimentar o amor curador de Cristo é aproximar-se de uma fonte de perdão inesgotável. Na dor você também pode perdoar quem se foi. A oração, mais que um gesto de fé, agora é também um meio pelo qual o amor de Cristo em você pode também curar quem partiu.
Experimente a gratidão
A morte traz consigo um alívio. É assim especialmente quando ela vem depois de um período de muito sofrimento.
Na presença de Cristo agradeça. Um coração agradecido alcança misericórdia do coração de Cristo.
Jesus também deu graças quando perdeu Lázaro. “Pai, rendo-te graças, porque me ouviste”. (São João 11, 41)
Agradeça ao Senhor por todas as formas pelas quais a partida de quem você ama pode lhe trazer um novo significado para a vida, uma redescoberta da sua relação com o próprio Cristo.
Lembre-se que o melhor gesto de gratidão é participar da Eucaristia. É por meio dela que os corações, que um dia estiveram unidos, permanecerão unidos.
O amor é mais forte que a morte.
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Texto adaptado de Healing the Greatest Hurt, livro de Matthew Linn, Dennis Linn e Sheila Fabricant.
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Foto do Rodrigo Roncolato





