
Anti-catolicismo. É em nome dele que a mídia brasileira investe na desinformação, na desqualificação de juristas católicos e no boicote de ações pró-vida?
Para além do julgamento da constitucionalidade de pesquisas com células-tronco de embriões humanos e mesmo da proposta oculta de legalização do aborto via Supremo Tribunal Federal, o que nos dizem as notícias – já há muito tempo - é que o catolicismo é um mal que precisa ser combatido.
Obscurantismo, atraso, cegueira medieval. Se os termos fossem aplicados ao judaísmo, religião na qual foram formados a geneticista, Mayana Zatz, e o empresário de mídia, Roberto Civita, não demoraria muito para que alegassem anti-semitismo.
Os termos são aplicados ao catolicismo. Por isso não surpreende o ódio que a simples menção do termo “católico” como se fosse o sobrenome de juristas contrários à redação do artigo 5º da lei de biossegurança provoca no público em geral.
Uma nomeação dispensável já que poderiam ser ditas as mesmas informações a respeito dos juízes católicos sem a nomeação de sua religião, a exemplo do tratamento recebido por não-católicos envolvidos nos mesmos fatos reportados.
Preconceito não se confunde com crítica. Diferentemente dos movimentos homossexuais que pleiteam o silêncio, pela força da lei, de todos os seus críticos, denunciar o anti-catolicismo não se trata de restringir a liberdade de expressão. Tratar as bases de uma religião como prejudiciais à sociedade, ao avanço científico, à saúde pública, em nada se assemelha a mera crítica aos líderes católicos ou às posições da Igreja.
Esse tratamento configura ódio? Para descobrir isso bastaria usar o mesmo tratamento em relação a outro grupo religioso, étnico ou minorias e esperar para ver como tais grupos se sentirão.
A mídia, no entanto, faz papel secundário diante do relativismo moral que não tolera o conceito do que seja humano, da natureza humana. Conceito este moldado por dois milênios de catolicismo e que vai, aos poucos, sendo reinterpretado, mas não sem antes acontecer a criminalização simbólica – a princípio – do catolicismo.
Por isso é fácil ouvir que a Igreja Católica é responsável pelas mortes causada pela AIDS, pelos abortos clandestinos ou por comprometer a perspectiva de cura para aqueles que até agora não foram contemplados com as beneces de 25 anos de pesquisas com células-tronco embrionárias (até porque tais beneces não existem).
A diferença entre o preconceito relativo ao catolicismo e a outros grupos é sua aceitação, mesmo em um país de maioria católica. No caso brasileiro o método que torna o preonceito aceitável é a falsa dicotomia entre a “hierarquia da Igreja” – os bispos, padres, sacerdotes – e a “base da Igreja” – os leigos.
Isto explica os cuidados que tomam vozes favoráveis à destruição de embriões em pesquisa quando se dirigem ao público católico afirmando sempre que não existe uma guerra entre Igreja e ciência, contudo eram eles os primeiros a afirmar o contrário quando convinha a estratégia de vitimização ou criminalização simbólica do adversário. Esperemos só pra ver como se comportam ao final desta novela.
***
Para ler: The New Anti-Catholicism: The Last Acceptable Prejudice, livro do Prof. Philip Jenkins.







Fantástico o texto.
Pena que ele evidencie uma triste realidade.
Se todos os que se dizem – pelo menos os que se dizem católicos – defendessem mais a Igreja e sua moral, certamente a realidade seria outra.
Como se faz para criar outra ADIN que reclame a inconstitucionalidade de se produzir embriões excedentes que serão congelados nessas clínicas de reprodução?
[...] O preconceito aceitável [...]