
Começa hoje a primeira audiência no Supremo Tribunal Federal sobre a viabilidade jurídica da interrupação da gravidez – aborto! – de fetos anencéfalos à pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde. Esta entidade quer que o aborto de fetos sem cérebro seja permitido no Brasil em nome da “dignidade humana” e do “direito à saúde”.
Mas a dignidade humana não consiste em ter ou não ter cérebro. O que acontece, então? Trata-se do pleito pelo direito de matar o deficiente, o direito ao aborto eugênico. Não tem cérebro? Mata. Tem problema genético? Mata. É incapaz de ser útil à sociedade de consumo? Mata.
Claro que sob os holofotes os argumentos são outros. “Bebê sem cérebro morre em pouco tempo mesmo, se é que já não está morto…”. Mas aí nasceu a Marcela de Jesus e calou o argumento: Marcela não tinha cérebro e viveu por um ano e oito meses. Morreu de pneumonia, nada relacionado à falta de um cérebro.
A vida da pequena Marcela perturbou a vida de muita gente pequena. Gente capaz de dizer que a mãe que gera uma criança anencéfala é um “caixão ambulante”. Gente capaz de defender q a vida de Marcela não serve de argumento em favor das crianças sem cérebro. Gente?
Marcela não tinha um cérebro e tinha consciência, expressava emoções, vivia. Por que outras Marcelas não deveriam ter a mesma oportunidade? Porque representam risco de vida à mãe, diriam alguns… Mas o fato é que gravidezes anencefálicas apresentam um risco “baixo” de complicações, geralmente insignificantes.
Por que, então? Diriam que Marcela foi uma exceção, que bebês anencéfalos, em geral, tem apenas minutos de vida. O fato é que 10% dos anencéfalos vivem mais que uma semana e alguns vivem por anos! E se todos recebessem a devida assistência quando nacessem, quanto tempo viveriam?
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O STF ouvirá religiosos, políticos e cientistas para, então, julgar se o poder jurídico pode legislar… Porque, afinal, é isso o que o Supremo estará fazendo caso aprove o aborto de anencéfalos! Estará legislando, acrescentando mais uma exceção aos casos em que o aborto é tolerado no Brasil. É esse o papel do STF?
Curiosamente o Supremo não ouvirá pais de crianças anencéfalas. Contudo eles têm muito a dizer, como por exemplo estes dezesseis casais que expõem, na internet, um memorial para perpetuar a história de seus pequenos filhos que nasceram com a deficiência chamada anencefalia.
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“Mas eu li na Veja…” Então agora leia no blog do William Murat: “O que incomoda esta gente é que a menina viveu 1 ano e 8 meses, que sua mãe a tenha amado como a qualquer um de seus filhos, que ela não tenha “dado à luz a morte”.”
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Nota da CNBB sobre aborto de feto anencefálico.







Eu nasci com expectativa máxima de seis anos de vida por causa da tetralogia de Fallot (patologia cardíaca congênita). Precisei de cirurgia de risco médio-alto — na época, bem mais complicada que hoje — para me curar. Será que eu seria abortado?
Eugenia começa assim.
Oi… queria muito sua opinião no meu último post.. bjos
Sabe o que é triste? Triste é lembrar do que houve no julgamento das CTEs no mesmo STF. Triste é saber que este é um jogo em que o baralho já tem as cartas marcadas.
Triste…, mas sejamos perseverantes! É a nossa natureza. É o que nos resta.
Paz e Bem!
[...] Marcela vai ao STF [...]
Lembra quando a gente dizia que descriminalizar o uso de embriões ia ser uma porta aberta para descriminalizar outros atentados contra a vida?