“A mulher tem que ter a consciência de que está matando. Eu já fiz um aborto e confesso que não foi bom, não foi uma boa experiência, se eu pudesse voltar atrás eu teria tido mais cuidado.” – Luiza Brunet, mulher que não aparece no filme “O Aborto dos Outros”.
O “docu-drama” O aborto dos outros, de Carla Gallo, revela – sem querer – contradições no discurso abortista. Foi a impressão que tive após ler a entrevista que a diretora deu ao jornal O Globo.
A repórter, Tatiana Clébicar, colocou o filme de Gallo cara-a-cara com os argumentos abortistas “questão de saúde pública” e “decisão da mulher”. A diretora respondeu com evasivas, deixando claro para o bom entendedor que as lágrimas e soluços do filme só confirmam o que já sabíamos: é preciso muita edição para fazer a realidade do aborto ser nada mais, nada menos, que um “direito da mulher”.
A entrevista, propositadamente ou não, desmascara os argumentos:
1) Saúde Pública: a repórter conta que em “O aborto dos outros” há o registro da “pena e do preconceito” dos próprios envolvidos na prática do aborto, mesmo nos casos em que a lei não pune nem o profissional da saúde, nem a mulher – nem o marido, o namorado, as amigas, a mãe, a família, o patrão, todos que por alguma razão “ajudaram” na “decisão da mulher”.
É estranho que um procedimento em prol da saúde pública, da saúde da mulher especificamente, “perturbe” especialmente a maioria dos profissionais de saúde. Basta lembrarmos o “NÃO” que o Conselho a Conferência Nacional de Saúde deu à legalização do aborto no Brasil .
Que “questão de saúde pública” é essa que sequer é reconhecida pela Conferência Nacional de Saúde? Nem mesmo o desconforto dos personagens do filme de Carla suportam essa “certeza” que só quem recebe recurso de ONGs internacionais tem…
2) Decisão da Mulher: a repórter conta que, em cena de “O aborto dos outros”, conhecemos a história de uma mulher que não tomou a decisão individual de abortar, mas foi convencida pelo companheiro a fazer o aborto do bebê. Decidir sob tortura psicológica é exatamente o que devemos compreender por “decisão da mulher”? Claro que, para a diretora do filme, o registro de uma mulher convencida pelo marido a fazer o aborto apenas explica que “todos somos influenciados por fatores diversos”.
Um exemplo claro de decisão individual ilustra o filme: uma mulher conta ter feito cinco abortos porque não quis pílula anti-concepcional, já que a droga lhe deixava “gorda”. Se eu entendi bem, abortar por estética é decisão da mulher e ninguém tem nada a ver com isso.
O que acontece com o tecnicismo de “abortista-de-audiência-pública” contrário ao aborto como forma de planejamento familiar? E aquela história de “em última instância”? Cinco vezes. Para não engordar. Carla Gallo comenta que esse caso foi “um caso específico”.
Quais as garantias de que a com a legalização do aborto nenhuma mulher será obrigada a abortar, nem mesmo se a gravidez dela for “indesejada” pelo empresa onde trabalha, pelo companheiro (ou companheira… Quem será que mais se incomoda com uma gravidez indesejada, o companheiro ou a companheira da mulher?), pela família, pelo médico (que razõe$ levariam um médico a não de$ejar a gravidez de uma paciente?)…
Afinal, com a legalização o aborto, ninguém vai achar vantajoso “convencer” a mulher a exercer um “direito” que é dela?
Pode ser impressão… Mas o slogan “questão de saúde pública” deve ser efeito de uma gramaticidade igualitária que, para dizer o mínimo, exige o uso de palavras femininas nos discursos referentes à mulher.
A realidade mais se adapta com uma gramaticiadade financeira, já que não raro a mulher grávida precisa – sozinha – encarar a “questão de saúde dO públicO” com o qual ela se relaciona. Um público que seria, inclusive, financeiramente beneficiado com a legalização do aborto no Brasil.
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Ah, claro… O título deste post é meramente ilustrativo.






Se ela está “tããão arrependida” de ter abortado por que ela não se entrega pra justiça? Por que ela não pede pra ser presa?
Vou parar por aqui porque esse cheiro de hipocrisia está me provocando ânsia.
Eles dizem que querem debater o assunto, mas, na hora de defender os seus pontos de vistas, confrontados com o absurdo dos seus argumentos, fogem. O que eles querem é impor na marra um velado genocídio… E se valem de documentários pífios como esse! Visite meu blog… http://franc1968.wordpress.com
Falando em “se entregar para justiça” seria oportuno conhecer pesquisa sobre o número de presidiárias que praticam/praticaram abortos ainda que não tenham sido presas por este crime. De que lado estará a hipocrisia quando tivermos esses números?
Sem querer perturbar mas já perturbando. A própria cidadã disse que realizar um aborto é matar uma vida e que as mulheres deveriam tomar ciência dessa realidade, logo ela está confessando um crime no caso está confessando que é uma assassina. Se ela se julga criminosa porque não se entregou pra justiça, sei que Deus julgará tanto quem abortou quanto quem nunca abortou, julgará todos os pecadores incluíndo eu. Só postei aqui nesse blog porque achei que pegar o depoimento de uma mulher que se “arrepende” ( se arrepende entre muitas aspas ) de ter cometido um crime mas não buscou a justiça para receber a devida punição da nossa constituição enfraquece o discurso pró-vida. Penso que os senhores pró vida deveria buscar depoimentos de mulheres realmente arrependidas e não de hipócritas.
O depoimento de quem praticou o aborto e percebeu que cometeu um grave erro não enfraquece o discurso pró-vida. Acho curioso que sua motivação por um discurso pró-vida coerente não lhe motive a indicar o depoimento de mulheres “realmente arrependias” por terem cometido o aborto.
Entrando na discussão, fico pensando no posicionamento da Yasmin: ela é pró-vida ou pró-aborto? Que ela me dirima essa dúvida. O fato de Luiza Brunet, pessoa pública, abrir o seu baú de memórias e expor um erro de seu passado é, em si, um ato de coragem e que demonstra o seu arrependimento. É preciso deixar claro aos pró-aborto que a preocupação dos pró-vida passa necessariamente pela mulher. Se formos pesquisar a quantidade de mulheres que cometeram o aborto e depois se arrependeram, teríamos, com certeza, uma quantidade enorme. O mal do aborto não atinge só a criança: a mulher de cujo ventre foi extirpada uma vida não passa por essa experiência sem a mácula do sofrimento. E muitas vezes por falta de apoio e orientação. Minha mãe conta que conheceu uma senhora que trabalhava com plantas medicinais. Muitas mulheres a procuravam com o intuito de pedir algum chá que as fizesse abortar. E ela nunca negava o chá. Só que o chá não era abortivo: geralmente era alguma coisa pra fortalecer o organismo. Após um tempo, a gravidez avançava e o “mal” era descoberto. Então a criança nascia. Segundo essa senhora, nenhuma mulher reclamava depois que a criança nascia. Muito pelo contrário…
Evitar o aborto é, na maioria das vezes, salvar duas vidas: a do bebê, o maior inocente, e a da mãe…
A próposito, as mulheres favoráveis ao aborto, como são machistas! O maior beneficiado na gravidez indesejada é quase sempre o fornecedor do esperma…
Os adoradores do aborto são hipócritas por princípio.
Considere-se, por exemplo, a afirmação comumente usada por eles, de não serem a favor do aborto, apenas de sua descriminalização. Entenderam?
É mais uma artimanha para driblar a verdade nua e crua sobre esse ato horrendo. Por exemplo, ao invés de falar “legitimização”, fala-se “descriminalização”. Ao invés de falar “aborto” ou “assassinato de fetos” (que é, de fato), fala-se “interrupção voluntária de gravidez” e agora essa pérola do cinismo – “antecipação de parto”.
E ninguém pense que os adoradores do aborto, que não gostam de serem chamados pelo que realmente são – abortistas, estão interessados em um debate público em igualdade de condições. A tática raposina consiste em impô-lo à nação via Poder Judiciário, desviando do caminho democrático, claramente desfavorável às pretensões deles.
Eita, Wagner. Agora vc se confundiu legal: confundiu o CONSELHO Nacional de Saúde (que quase só tem abortista mesmo: http://conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2008/UNE.htm ) com a CONFERÊNCIA Nacional de Saúde.
O aborto deve ser legalizado por uma questão de princípios: não se pode enfiar goela à baixo um dogma religioso (de que a vida começa na concepção) sendo que a discussão laica (que é o que deve balizar a formulação de leis!) sobre o tema já relaciona a vida humana à manutenção de uma atividade cerebral (vide possibilidade de doação de órgãos quando da morte cerebral).
A questão da saúde pública relacionada à proibição do aborto (o que se tenta aqui vergonhosamente desacreditar) só torna a proibição algo mais grave e a legalização mais urgente.
Para finalizar, as interpretações, aqui expressas, sobre a entrevista de Carla Gallo são descabidas…
Mencionei o caminho do Judiciário para a aprovação do aborto.
Infelizmente, ao que tudo indica, será a via por excelência no Brasil como o foi em 1973 nos EUA.
O aborto é tão sórdido e injustificável, que para o Supremo Tribunal americano aprová-lo foi necessário os abortistas pressionarem Jane Roe a mentir sobre sua gravidez, alegando ter sido fruto de um estupro. Isso veio à tona pela própria Roe, hoje pró-vida.
Somente por esses meios fraudulentos eles conseguem impor o aborto. Não deveria ser o contrário se fosse inquestionavelmente um ato humano?
Quem diz que o aborto não é questão de saúde pública, a julgar pelas notícias, é o Conselho Nacional de Saúde, que não quer a legalização do aborto. Mas é claro… É tudo descabido, uma desqualificação do debate, risos.
“A próposito, as mulheres favoráveis ao aborto, como são machistas! O maior beneficiado na gravidez indesejada é quase sempre o fornecedor do esperma…”
isso foi uma ironia né?
ou não, se ver pelo lado que o “fornecedor de esperma” geralmente foge da raia e não tem que arcar com as consequências de seus atos
Wagner Moura,
o fato do Conselho Nacional de Saúde ( que é composto por pessoas, certo?) ter dado este parecer só revela que existe uma idéia dominante na sociedade a respeito do aborto ser uma prática imoral. Portanto, quero dizer que o estabelecimento de uma posição formal como esta do Conselho só revela que a referida entidade corrobora com esta visão à priori a respeito do aborto. Isto porque o que configura a proibição do aborto como um problema de saúde pública são os FATOS de que, no Brasil, aproximadamente 250 mil mulheres vão parar no hospital a cada ano em decorrência de aborto clandestino e que complicações de aborto clandestino são a segunda maior causa de morte de mulheres em gestação no Brasil.
Mas e quanto ao argumento (o principal) de que o aborto deve ser legalizado por uma questão de princípios (ligados à laicidade do nosso Estado)?
Quanto aos comentário expostos neste blog sobre a entrevista de Carla Gallgo, eles são sim descabidos. Se não, vejamos: apontar UM caso da mulher que disse abertamente que não quis usar métodos contraceptivos (e fez cinco abortos) para sugerir a constatação do caráter intencional da não proteção por parte das mulheres que fazem aborto é ilógico já que está mais que comprovado casos de gravidez que ocorre mesmo com o uso de métodos anticoncepcionais. Além disso, tais “exemplos” não propiciam a crítica ao argumento básico que possibilita pensar em legalização (o de que as mulheres tem direito de decidir sobre o aborto – até um certo período – já que não se pode estender à todos uma noção de vida humana oriunda de um dogma religioso específico).
Obrigado, Yasmin, pela chamada! Faltou uma palavra ali: “O maior beneficiado no abortamento de uma gravidez indesejada é quase sempre o fornecedor do esperma…” Isso é que dá escrever sem revisar…
Volkgeist:
1º A mulher tem direitos tanto quanto o feto que está no seu ventre. Se ao Estado cabe defender a vida, a Ele a obrigação de garantir o nascimento e o bem-estar da criança;
2º Quem mostrou à Igreja o momento em que a vida inicia foi a Ciência, que aliás, na maior parte de sua história, foi bancada pela Igreja. Portanto, esse discurso (laicidade x dogma religioso) já está caduco…
3º Felizmente a sua mãe não o abortou, Volkgeist. Portanto você tem condições de expor a sua visão dos fatos… Como disse Ronald Reagan: “a ironia é que todos os abortistas tiveram o direito de nascer…”
4º Sob a aparente boa vontade abortista, existe um discurso subjacente: o de que podemos escolher quem pode ou não nascer. Isso tem nome: eugenia! E os nazistas eram especialistas nisso…
Abraços cordiais!
O Homem nunca é o maior beneficiado. Quem vai arcar com 80% da tragédia humana de um filho impensado será a mulher (isso contando que o “doador de esperma” continue por perto)
Estado laico não é estado anti-religioso, vedando toda e qualquer participação de instituições religiosas nos assuntos públicos, como se essas mesmas instituições não fizessem parte da sociedade e não fosse afetada pelo resultado das discussões públicas.
Esse laicismo não passa de uma mal disfarçada censura prévia, uma tentativa – mais uma do abortismo fraudulento – de impedir a manifestação de quem mais se opõe ao assassinato de fetos.
Interessante: querem vetar a ampla e irrestrita participação no debate e ainda vêm falar de empurrar dogmas goela abaixo …
E o Brasil não é apenas um Estado laico – que deve permitir a livre manifestação de TODAS as religiões – mas e principalmente é um Estado democrático e de Direito.
Por ser um Estado DEMOCRÁTICO deve importar muito e ser respeitado – não ridicularizado – o fato, aliás FATO, de que a maioria da população é contra o aborto. Isso o demonstram todas as pesquisas que já foram levantadas pelos mais diversos institutos.
Como os resultados dessas pesquisas não lhe são favoráveis, vêm os abortistas com seu tradicional fanatismo anti-religioso querer insinuar que a Igreja ou seus seguidores querem empurrar dogmas “goela abaixo”, buscando tornar o assunto uma dicotomia religião X Estado ou religião X interesses femininos ou, ainda, religião X ciência.
Porque os adoradores do aborto não respeitam as decisões de duas comissões do Congresso Nacional mais a vontade expressa do povo brasileiro? Ao invés, insistem em impor a todo custo o aborto irrestrito no país e para isso usam a via do STF, em que um punhado de ministros declaradamente abortistas, nomeados por um presidente abortista, de um partido político abortista, decidem sobre essas questões.
Há melhor maneira de se empurrar algo goela abaixo? E censurando previamente os opositores aí é que fica mais fácil. Vai ser muito bom as pobres “vítimas” que abortaram – portanto cometeram um crime ainda vigente no código penal – numa clínica clandestina – outro crime que as “vítimas” e o estado laico dos abortistas deveria reprimir. Os números variam conforme a chutometria mentirosa abortista – já vi 250 000, 300 o00, 1 000 o00 (o número mágico) e até “milhões”. Números que eles procuram empurrar goela abaixo, porque comprovar que é bom … E mesmo que houvesse uma cifra oficial, seria interessante indagar as consequências de uma pobre “vítima” de aborto clandestino dando entrada em um hospital. Pela sua procedência, se conhecida, não deveria se chegar aos autores clandestinos do aborto? Deveríamos estar vendo quase todos os dias o desmantelamento de clínicas abortistas clandestinas ou prisões das “fazedoras de anjos”. Se os tais 250 000 forem certos, aí é que a questão não é mesmo de saúde pública. É de polícia.
[...] Veja uma matéria muito legal sobre o assunto, inclusive com esse vídeo no Blog: O Impossível e O Extraordinário [...]
Bem, pelo que vi nas respostas constato que não ficou muito clara a minha idéia sobre a participação de instituições religiosas no debate. De nenhuma forma eu gostaria de excluir da discussão pessoas ligadas à – quaisquer que sejam -instituições da sociedade civil (e as entidades religiosas as são, é claro).
O meu principal ponto, que repito (mesmo perdendo as esperanças de que não se fará questão de, novamente, ignorá-lo), é que as discussões devem se fazer em termos laicos admitindo-se, inclusive, a falibilidade das conclusões alcançadas por este meio. Isso porque as respostas indubitáveis fornecidas por diversas crenças religiosas, ainda que sejam dignas da aceitação igualmente legítima por parte de seus fiéis, não podem entrar em conta em questão de legislação já que tais respostas constrangeriam outros cidadãos a agirem a despeito das SUAS crenças. Com isso quero dizer que se grupos religiosos entendem que devem atuar sobre alguma questão de legislação, necessitam expor os argumentos materiais que os embasam; isso não é, absolutamente, anti-religioso, não é muito difícil de entender e espero não precise reconstruir esses argumentos mais uma vez. Sendo assim, vamos à alguns pontos levantados nas respostas:
Franc1968,
o tratamento jurídico e o reconhecimento de direitos para os fetos iguais aos das mães é justamente o que está em questão e isso está totalmente em aberto (a ciência não respondeu nada e creio que ninguém poderá responder com pretensões universais, pelo menos nesses termos – os laicos) porque AS SOLUÇÕES para um problema do tipo “Onde começa a vida humana ?” não é nada consensual, não é mesmo?
Logo, com o objetivo de se legislar para o público (laico), o tratamento que permita uma definição legal (teoricamente sempre provisória pois sujeita à revisões de acordo com o desenvolvimento dos argumentos laicos) sobre uma questão eternamente em aberto deve se fazer conforme o atual estado das discussões e conclusões laicas. E quanto à este atual estado do debate, receio que quem queira restabelecer a noção de que a vida humana começa na concepção terá que correr atrás do prejuízo porque na nossa situação atual já se relaciona a vida humana à manutenção de alguma atividade cerebral (já citei o exemplo da possibilidade de doação de órgãos quando da morte cerebral, mas…)
Quanto ao tema “eugenia” aí sim…também me preocupo com isso (bem menos, é verdade). Mas não se pode abortar a definição de uma questão de príncipios (”à priori, quais as possibilidades legadas ao público quando de uma gravidez indesejada?”) por causa de um possível problema conjectural (a decisão em abortar pode se dar por orientações eugênicas ou não, ou seja, não é logicamente necessário que assim o seja)
Abraços não menos cordiais!
Eduardo Araújo,
acho que já falei acima o que penso sobre a exclusão/inclusão de entidades religiosas no debate (e, agora, espero não ter de precisar reconstruir o argumento tudo de novo…). Quanto à visão da população sobre o aborto: 1º ela é notadamente influenciada pela difusão da noção de que existe uma identidade entre o feto (seja em que parte da gestação for) e um bebê recém-nascido. Ora, isso provém da noção de que a vida humana é a mesma desde a concepção, e como isso no final das contas é geralmente justificado por dogmas religiosos a população, em geral, não forneceria os argumentos laicos básicos para sustentar essa idéia difusa. Gostaria que você me demonstrasse em como a visão difusa da sociedade em geral sobre o aborto advenha de preceitos DIVERSOS dos daqueles encontrados nos dogmas cristãos. Bom, mas isso para mim não tem grande valor para argumentação (2-)já que apelar para o respeito à maioria não enfrenta a possibilidade de esta maioria se unir em torno de disposições anti-sociais (e considero o desrespeito à alteridade algo profundamente anti-social). As mesmas pesquisas de opinião que dizem que a maioria é contra a legalização do aborto, também apontam que o brasileiro é favorável à pena de morte! Ademais, o nazismo contava com forte apoio popular e os exemplos não reduzem a estes…
Volkgeist,
Você está invertendo a ordem do ônus da prova. É você quem afirma que a população é contrária ao aborto devido a dogmas religiosos. Você poderia provar isso?
Ao que me consta, as enquetes realizadas não se preocuparam em estudar a fundamentação do ponto de vista da população sobre o assunto.
Mas ainda que seja, generalizar é tão perigoso num debate quanto particularizar em demasia. Se uma grande parcela, quiçá a maioria da população posiciona-se contra o aborto por motivo religioso, isso não dá à discussão essa dicotomia que você abortistas pretendem – de seres humanos “racionais”, imbuídos de “humanismo”, contra “fundamentalistas religiosos”, “fanáticos”, “obscurantistas”, “medievais”. Não é esta a tônico de vosso discurso?
Falando por mim, não tiro conclusões sobre a origem exata da vida humana em assertivas derivadas da religião, muito embora não descarte – num debate honesto – argumentos que tivessem esse matiz.
A propósito, você afirma que a “discussão laica” relaciona a vida humana à manutenção de alguma atividade cerebral. Que discussão é essa que já tem um pressuposto fixo do qual proibe-se discordar, desqualificando o oponente com alegações anti-religiosas?
Ainda que a PREFERÊNCIA, no caso, e não discussão laica seja o de relacionar a vida humana ao critério mencionado, isso sempre deveria ser objeto de discussão, respeitando-se todas as vertentes de opinião – inclusive as puramente fincadas na ética e na religião, que fazem parte do corpo social tanto quanto as pretensões abortistas.
Sei muito bem que o partido nazista ganhou muitas cadeiras no Reichstag na eleição de 1932. E em meados da década de 30 a população alemã já apoiava maciçamente o partido nazista. Foi um caso de perfeita comunhão entre o que almejava a maioria da população e os representantes políticas por ela colocados nos cargos eletivos.
Ser contra Hitler, o nazismo e as atrocidades que cometeram nos dias de hoje não invalida o fato de que a eleição dos nazis que culminou na sua hegemonia política germânica se deu de forma democrática. Usar isso como argumento para desqualificar a vontade popular e os efeitos dela equivale a desqualificar a própria democracia. Então, tá, sejamos anti-democráticos porque o povo comete erros como colocar um tirano no poder, não é isso?
Além do mais, que alternativa você sugere à manifestação popular? Prefere um regime totalitário que imponha à população aquilo que você defende?
Aliás, façamos uma extensão do seu “argumento”. Os nazistas foram contumazes defensores e praticantes do aborto e da eutanásia, ou você não sabia disso? E o estado laico nazista aproxima-se bastante da concepção de estado laico que os abortistas invocam: na verdade uma estado totalitário, legalista, coadunante com uma sociedade que pretende excluir a religião da vida pública, insinuando mentirosamente que a opção contrária seria uma determinada instituição religiosa mandando e desmandando nos assuntos públicos.
Pois bem, os NAZISTAS QUE TAMBÉM ERAM ABORTISTAS
Tive um problema com o computador, por isso a mensagem anterior ficou truncada.
Mas retomando e reiterando o assunto:
Volkveist, você me pede uma demonstração sobre o que fundamenta a opinião popular nas pesquisas contra o aborto.
Quando menciono o ônus da prova, é porque a afirmação quanto ao que leva as pessoas pesquisadas a opinarem contra o aborto provém de você. Quanto a mim, sinceramente não arrisco fazer um conceito prévio de toda uma população, que sabidamente tem suas idiosssincrasias, porém guarda ainda suas particularidades. Prefiro não tomar por hipótese a homogeneidade.
Em síntese, eu não faço a mínima idéia do que leva as pessoas que opinaram contra o aborto nas pesquisas a ter essa opinião. Você, no entanto, insinua que sua motivação foi religiosa. Cabe a você demonstrá-lo e não eu.
Permaneço, por outro lado, afeto à opinião de que se ater a alguma doutrina religiosa não desqualifica alguém num debate que se pretenda público. Que seja ouvidos todos os que quiserem se pronunciar – ateus, agnósticos, católicos, protestantes, candomblecistas, espíritas, etc. Esta é a essência do verdadeiro estado laico – uma estrutura que não é refém de uma determinada religião, mas tampouco é contra a sua participação na discussão dos assuntos públicos.
O NAZISMO
Antes de voltar a tocar no assunto, torno a questionar sobre qual seria a alternativa aos processos democráticos usuais. E, mesmo que admita uma possibilidade de uma decisão controversa como o aborto ser oriunda de um grupo restrito, como uma corte judiciária, não vejo porque esta estivesse também isenta de cometer erros, partir de posturas anti-sociais e fazer valer a todo custo as preferências e opiniões pessoais das pessoas que dela participam.
Mas ainda sobre o nazismo que o meu texto truncou na ênfase sobre o perfil abortista do regime, reafirmo que esse regime – esta é a minha opinião – aproxima-se bastante do conceito de estado laico empregado como cala-boca pelos defensores do aborto.
Laico por fundamentar suas leis exclusivamente em pressupostos aceitos como científicos e não submetidos a nenhum crivo éticos, fosse este de natureza religiosa ou não.
Desde sua gênese, o partido primou por exluir toda e qualquer oposição às suas ações, mormente provinda de religiosos. Os nazis tinham plena consciência do peso político da religião e não foi outra a preocupação em assinar a famosa concordata com o Zentrum católico, munindo-se de um amparo contra alguma tentativa da ICAR de posicionar-se publicamente contra o aborto e a eutanásia, aplicada ostensivamente pelo estado.
Com a Igreja Católica bem amordaçada e mais a Luterana emprestando apoio incondicional, Hitler e seus asseclas puderam enfim se sentir á vontade para dar seguimento ao projeto de purificação racial do III Reich. Um perfeito estado “laico” nesse sentido hodierno.
Eduardo Araújo,
Como creio que a maior parte de suas colocações já foram respondidas anteriormente avou procurar reproduzir concatenadamente trechos já escritos seguidos de alguns outros breves desenvolvimentos que, se lidos com a enfâse que procurarei dar agora, poderão desfazer alguns mal-entendidos:
Opinião da população:
De meu segundo post:
“o fato do Conselho Nacional de Saúde ( que é composto por pessoas, certo?) ter dado este parecer só revela que existe uma idéia dominante na sociedade a respeito do aborto ser uma prática imoral.” e de meu último post:
“Quanto à visão da população sobre o aborto: 1º ela é notadamente influenciada pela difusão da noção de que existe uma identidade entre o feto (seja em que parte da gestação for) e um bebê recém-nascido. Ora, isso provém da noção [difusa]de que a vida humana é a mesma desde a concepção, e como isso NO FINAL DAS CONTAS é geralmente justificado por dogmas religiosos a população, em geral, não forneceria os argumentos laicos básicos para sustentar essa idéia difusa.”
Quero dizer com isso que não creio que a população EM SUA MAIORIA (não estou generalizando) forneça a sua própria fundamentação teórica para a sua visão em geral (e por isso, difusa) sobre o aborto. Essa justificativa mais formal fica à cargo de representantes da igreja e de profissionais leigos (quanto à religião) que comportiham da mesma visão. Isso afeta (de novo) a população apenas difusamente já que entendo que a população média não domine muito bem os príncpios básicos da religião da qual diz ser adepta. Isso é o que EU sinto durante a análise de como se dá a discussão do aborto; a utilização, na análise particular, de uma impressão típica-ideal, que tenta SUGERIR que exista um comportamento médio não é generalizadora e me é garantida quando da tentativa de apreensão intelectual de algum fenômeno, mas também enquanto MÉTODO utilizado para essa tentativa. É certo que não posso provar e o que lhe pedi foi: “Gostaria que você me demonstrasse em como a visão difusa da sociedade em geral sobre o aborto advenha de preceitos DIVERSOS dos daqueles encontrados nos dogmas cristãos.” – Poderia não ter utilizado o verbo DEMONSTRAR (não foi representativo do que quis dizer) na medida em que gostaria que você apenas SUGERISSE alternativas ou ARGUMENTASSE alternativamente à explicação então exposta.
Continuando disse também que: “…isso para mim não tem grande valor para argumentação (2-)já que apelar para o respeito à maioria não enfrenta a possibilidade de esta maioria se unir em torno de disposições anti-sociais (e considero o desrespeito à alteridade algo profundamente anti-social).” Poderia também ter escrito “disposições anti-democráticas” já que sim, a maioria da população pode decidir por situações anti-democráticas.(democracia aqui entendida como algo mais geral, não a mera contabilização de opiniões particulares; democracia enquanto respeito e garantia de possibilidade à diversidade sem o que não há, de fato, a “democracia do voto”; em síntese, democracia enquanto princípio)
Também acho, como você, que uma decisão como essa se daria de modo mais apropriado por meio de uma consulta à população. Porém fico aliviado que, pelo menos por enquanto, não se faça um plebiscito pois percebo (EU, humildemente) uma imensa desinformação sobre o assunto (o que é coerente com a “minha teoria” quanto as opiniões pautadas por idéias difusas, não muito bem clareadas a respeito do tema) e parca inserção de idéias que façam frente à noção dominante (e isso não é democraticamente saudável, não é mesmo?)Continua…
Continuando…
Também penso que delegar tais incumbências a um colegiado NÂO é O MELHOR procedimento.
Disto resulta, como se pode ver, que você estava (e ainda está) completamentamento desautorizado a, com base no que tenho escrito, insinuar que eu seria contrário à procediementos democráticos de decisão. Os exemplos que dei (e isso me parecia claro) apenas visavam relativizar uma noção que eu entendi por demais simplificada no seu post anterior acerca da legitimidade (democrática mesmo) automática de decisões tomadas no papel democraticamente.
Como nem tudo é branco no preto (decisões democráticas = bom e decisões colegiadas = ruim) – e não querendo fugir da sua questão – penso que se se entender que precisa ser dada uma solução breve da questão (e creio sim se configurar uma urgência) – o que não daria tempo das pessoas correrem atrás de fundamentar melhor as opiniões, escapando, assim, das noções difusas por meio da oferta de diversos pontos de vista – acho que transferir a decisão, neste contexto, para um colegiado seria algo “menos pior” (sic). Isso porque a publicidade dos debates garantiria, pelo menos – e devido ao contexto descrito por MIM – a inserção de grupos organizados de ambas as partes com melhor eqüidade entre elas. Mas você tem razão: nada garante que isso proporcionará a decisão mais isenta possível, seja ela qual for.
Depois disso, você acaba enviesando a idéia de laicidade utilizando-se de um mesmo artifício com o qual havia injustamente me criticado, qual seja o de pegar uma situação e estendê-la em demasia; e nesse caso, interpreta à revelia um conceito, porque o modo como se entendeu laicidade no seu post nem procura dialgoar com os princípios que tentei delinear sobre a mesma, simplesmente ignora o que havia sido escrito por mim sobre este ponto. E o que escrevi foi:
“…as discussões devem se fazer em termos laicos admitindo-se, inclusive, a falibilidade das conclusões alcançadas por este meio. Isso porque as respostas indubitáveis fornecidas por diversas crenças religiosas, AINDA QUE SEJAM DIGNAS DE ACEITAÇÃO IGUALMENTE LEGÍTIMA POR PARTE DE SEUS FIÉIS, não podem entrar em conta em questão de legislação já que tais respostas constrangeriam outros cidadãos a agirem a despeito das SUAS [OUTRAS] crenças. Com isso quero dizer que se grupos religiosos entendem que devem atuar sobre alguma questão de legislação, necessitam expor os argumentos MATERIAIS que os embasam; isso não é, absolutamente, anti-religioso, não é muito difícil de entender e espero não precise reconstruir esses argumentos mais uma vez [precisei né?].”
Adicionaria ainda que argumentos laicos podem encontrar paralelos com posições formadas sob o âmbito da religião (não há exclusão aí!). O que não aceito (e aí está uma verdadeira discordância entre nós) é a inclusão de explicações DE ORDEM religiosa, transcendentais para se discutir legislação devido ao que expus acima.
Sem mais…por enquanto…
Uma mulher que mata um filho no ventre. nada difere de um criminosos qualquer.Elas sim..por questão de saúde deveriam serem a princípoi abortadas.. Mais creio que em algumas fase de sua vida.. Elas colherão o que plantaram…
Vamos legalizar a pedofilia e o infanticídio! O estado não é laico? Ora, quem criminalizou a pedofilia no ocidente foi justamente a Igreja Católica, que “inventou” a noção de infância. Até o século IV, a Lei Romana considerava que a criança até os 12 anos de idade pertencia a seu pai, que poderia vendê-la como escrava ou até mesmo matá-la, sob anuência da lei. Quem mudou isso foi a religião. Ora, portanto se for pra tirar a religião do debate… Vai ficar o quê? O quanto de nossos valores morais, de nossas leis, enfim, de nossas noções de justiça e de direito foram moldadas pelo cristianismo e ensinadas pela Igreja Católica? A própria noção de igualdade diante da lei entre todos os seres humanos, sem distinção, é invenção do cristianismo. Logo, se convicções religiosas são “inaceitáveis” para a fundamentação de leis em um estado laico… O que impediria a legalização da pedofilia e do infanticídio, para ficar em dois exemplos?
Além do mais é discutível a afirmação de que a ciência não se manifestou sobre o início da vida. O embrião foi observado pela primeira vez em 1827 e foi a partir desta descoberta científica que a Igreja Católica afirmou mais de 40 anos depois que a vida começa na fecundação. Ou seja: a Igreja Católica seguiu-se à observação científica para determinar o início da vida, e não o contrário. E ainda que haja dúvidas sobre quando a vida começa, basta fazer uma pergunta: há certeza de que a vida NÃO COMECE com a fecundação? Pode ser afirmado com segurança que o embrião e o feto não são seres humanos? Sim ou não? Se não há certeza sobre o momento do início da vida, significa que talvez ela inicie com a fecundação; talvez não.
Isso não resolve o problema. Ao contrário: se não há essa certeza, pode ser que um aborto signifique a morte de um ser humano. Diante dessa DÚVIDA, É MORAL CORRER O RISCO DE ELIMINAR UM SER HUMANO ATRAVÉS DO ABORTO?