
Dra. Cláudia Batista durante a primeira audiência pública do STF
É muito mais promissor reprogramar células adultas, para gerar qualquer outro tecido, que usar embriões em pesquisas. Uma prova disto é o interesse de países como Estados Unidos, Japão e Coréia na reprogramação celular: somente 10% dos trabalhos em laboratório, hoje, correspondem à pesquisa que destrói embriões humanos, os outros 90% trabalham com células-tronco adultas.
A Dra. Cláudia Maria Batista, da UFRJ, contou ao Conversa Afiada que as pesquisas com células-tronco avançam rápido no Brasil e destacou a importância da linha de pesquisa com células-tronco adultas:
“Nos países onde as pesquisas com células-tronco embrionárias humanas começaram logo que foram estabelecidas em 1998, em todos esses países, incluindo Estados Unidos, Japão e Coréia também, esses laboratórios que trabalhavam com as células até dois ou três anos atrás, começaram a investir agora em outra linha, com certeza, que é a reprogramação, a partir de células da pele.
E o dado que eu tenho confirmado com vários pesquisadores estrangeiros é que 90% dos trabalhos desses laboratórios no momento se concentram totalmente em reprogramação. E 10% apenas em células embrionárias. Porque, digamos, o interesse por células embrionárias está ultrapassado.
Quer dizer, tudo o que se podia obter de conhecimento em termos de pesquisa básica já se obteve, não só com as humanas, mas com as de camundongo, que há muito mais tempo já se estudava. E esse conhecimento agora está sendo usado para se entender e se fazer essa nova técnica, que também é difícil, da reprogramação das células, que é muito mais promissora, essa nova avenida que se abriu, é muito mais promissora do que as células embrionárias sozinhas. Ela é compatível com o próprio paciente, não é rejeitada e nem forma tumores, é muito mais fácil de controlar a formação de tumores do que as embrionárias, em princípio.”
Nos Estados Unidos a FDA impediu recentemente a maior farmacêutica do ramo, a Geron, de começar os testes com injeção de células-tronco embrionárias em seres humanos. A Geron precisa provar à FDA que pode controlar a formação de tumores ocasionados pela reação da mistura de células a ser injetada. Até o momento a Geron não respondeu.
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