
Foto/AW
Nunca antes li Paulo Coelho. Já li as críticas sobre o autor, já concordei com todos os caçadores de bruxos e com leitores ponderados que não recomendam lê-lo por considerarem perda de tempo. Não por tudo isso, mas nunca tive a curiosidade de ir além dos títulos dos livros dele.
Lembro de ver muitos estrangeiros gastando os minutos no metrô de volta pra casa lendo “Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei”. Isso me surpreendia tanto que um dia procurei o blog dele para fazer um comentário sobre o assunto. Não voltei lá para saber se ele respondeu.
Engraçado. Se o universo conspirasse mesmo, diria que a culpa é dele por ter feito chegar a mim o livro que tanto via nos vagões do metrô após o curso de inglês. O e-book “Na margem…” me alcançou na última quinta-feira enquanto conversava, no MSN, com uma carismática.
Para todos os efeitos eu nunca recebi esse e-book, disse a ela. Para todos os efeitos eu nunca te enviei esse e-book, ela me respondeu sem saber que não costumo levar a sério todos os segredos que faço.
Paulo Coelho fala sobre os carismáticos do santuário de Lourdes, no livro. Nunca soube disso e aceitei a indicação para saber o contexto da novidade. Realmente. Lá estão os santuários católicos, experiências místicas, o universo conspirador do autor e os carismáticos. Temas afins.
Que pena. Eu também sentei e chorei meu lamento seco ao ler em cada página do livro como este século conspirou contra si mesmo ao conspirar contra a razão que mentiu servir.
Não pelo blecaute, não pelo filme apocalíptico, “2012″, que estreou… Mas, sim, creio estarmos nos últimos dias de uma era na qual foi possível acreditar que “no amor não existem regras”.
E na margem dessa era que se vai atirada ao Piedra, transformando-se em pedregulho, como ensina a lenda… Na margem dela sentei e chorei minha pressa de que eu pudesse contemplar o que se seguirá.
Mas não posso mentir que vou contemplar onde o rio Piedra desaguará após seguir pelas rochas deste século de experiências espirituais tão diversas quanto fictícias como a lenda do rio.
É que tenho a impressão… Tenho a impressão que ninguém nasce para contemplar uma era de transição. Nasce-se para torná-la possível.






